Blog

Maternidade: o processo de se perder para se reencontrar

Maternidade: o processo de se perder para se reencontrar

  • Lilian Lemos
  • Blog
Avaliação
(10)

No puerpério, muitas mulheres se sentem distantes de si mesmas. Com a chegada do bebê, grande parte da energia da mãe naturalmente se volta para ele. O corpo e a subjetividade podem ficar em segundo plano, e é fácil se perder nesse movimento. É nesse espaço, entre a entrega ao bebê e a própria rotina, que surgem dores, angústias e sentimentos que antes estavam adormecidos.

Por que isso acontece? A doação e o discurso social

É comum sentir solidão, frustração ou desconexão de quem se era antes. Muitos discursos sociais reforçam essa ideia de que a mãe deve sempre se doar, se anular e colocar o outro em primeiro lugar. Esse ideal de abnegação total muitas vezes sufoca as demandas internas da mulher, gerando um sentimento de apagamento.

O primeiro passo: a força de se acolher

Mas, mesmo nesse momento intenso e muitas vezes avassalador, existe a possibilidade de se reconectar consigo mesma. Reconhecer esses sentimentos e acolher suas próprias fragilidades, não é fraqueza, pelo contrário, é um passo essencial para que a maternidade seja vivida de forma mais consciente, sem apagar o cuidado consigo mesma. É preciso ouvir o próprio corpo, reconhecer desejos e limites.

O reencontro é um caminho, não um destino

Cada mulher tem seu tempo, seu ritmo e seu modo de atravessar essa experiência. E é justamente quando ela se permite esse tempo, sem pressa, sem cobranças, que começa, pouco a pouco, a reencontrar sua vida, seus desejos e a própria essência.

 

  • Acessos: 28
  • Sobre o autor: Sou doula e psicanalista, e dedico meu trabalho a acolher mulheres em suas transições - da gestação ao puerpério, da dor à descoberta de si.

Artigos Relacionados

O que se perde e o que se encontra na maternidade

Antes de se tornar mãe, a mulher vive centrada em sua própria identidade, nos seus desejos e nas suas escolhas. Ao iniciar a maternidade, ela se vê atravessada por uma realidade que dificilmente se alinha aos discursos romantizados que associam a experiência à plenitude e à felicidade absoluta.

Nesse desencontro, surge uma sensação difícil de nomear: a perda de si.

Entre o que nasce e o que se transforma

Criei este espaço para falar sobre o que não cabe nas fotos de ultrassom, nem nas frases prontas sobre ser mãe.

Quero falar sobre o invisível da maternidade: o que se cala, o que se rompe e o que se reconstrói dentro de cada mulher que tenta, gesta e acolhe um filho nos braços.

Entre o instinto e o discurso: o lugar da mulher na maternidade

Ao pensar a maternidade entre o instinto e o discurso, é fundamental entender que está em jogo não apenas o cuidado com os filhos, mas também o lugar que a mulher ocupa na sociedade.

Esse abismo entre o ideal materno imposto socialmente e a experiência interna da mulher-mãe é, muitas vezes, marcado por angústias, ambivalências e apagamentos do eu.

Pronta para dar o primeiro passo na sua jornada?

Agende uma conversa inicial sem compromisso. Vamos juntas encontrar o caminho para uma maternidade mais leve e consciente.