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Ser tentante: a espera do sim e o luto dos "nãos" mensais

Ser tentante: a espera do sim e o luto dos "nãos" mensais

  • Lilian Lemos
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Ninguém conta o quão frustrante é ser tentante, todos os meses ter que conviver com os “nãos”.

Ser tentante é viver entre extremos: controle e entrega, razão e esperança, força e fragilidade. É acordar e pensar: “Será que já tem um bebê aqui dentro?” Esperar é uma tortura, um teste de paciência e compaixão por si mesma.

A prisão do medo e o corpo que confunde 

Ninguém conta que a vida de tentante aprisiona de tal maneira que todo pensamento passa a ser sobre isso. É acordar e ter medo de tomar um simples café, um chá, comer uva roxa ou fazer um exercício físico. É caminhar numa prisão de medo, como se qualquer ação pudesse comprometer uma gestação que ainda não é um “sim”.

O corpo pode mostrar sintomas que confundem: cólicas leves, seios doloridos, sono, enjoo. O que leva a angustiantes pensamentos de sim ou não: “Será sintoma ou é só TPM?”, “Faço o teste agora? É cedo demais?”

O luto mensal pela perda do filho idealizado

A cada ciclo menstrual em que o “não” chega, o luto simbólico vem junto. Morrem os cenários criados, a imagem de um bebê. A tristeza, o choro e a frustração aparecem mais uma vez. Porque o luto não se refere apenas à perda biológica, mas também à perda do filho que já existia no seu desejo.

(Subtítulo 3 - A pressão que vem de fora) Ninguém conta que tudo isso é atravessado por expectativas sociais, culturais e familiares que ainda associam o valor da mulher à maternidade, como se ser mãe fosse o auge da felicidade e da realização feminina. Essa pressão pesa, e pesa muito.

(Conclusão - Você não está sozinha) Ser tentante é um mergulho profundo entre o desejo e a espera. E, nesse espaço entre o sim e o não, é preciso aprender a cuidar de si, com delicadeza, com paciência e com amor.

Se você se reconheceu nessas palavras, saiba que a sua dor é legítima. A sua jornada, com todas as suas angústias e esperanças, é válida.

Se você é ou já foi tentante, qual é a parte mais difícil que "ninguém te contou"? Partilhe nos comentários, se sentir à vontade. Vamos criar aqui um espaço de acolhimento.

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  • Sobre o autor: Sou doula e psicanalista, e dedico meu trabalho a acolher mulheres em suas transições - da gestação ao puerpério, da dor à descoberta de si.

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